quarta-feira, 3 de junho de 2026

PAUSA

A lida da casa pega a manhã quase toda, principalmente nos dias de catar lixo. Recolher, limpar, recolocar coletores, acompanha o varrer quintais, limpar pisos de cimento, de madeira, tirar poeiras, que mesmo não seja faxina geral toma boas horas. Isso depois da preparação do café, se sentar pra comer e tomar remédios, depois vem a lavação da louça, preparação inicial do almoço e adiante. E, regar plantinhas leva mais um tico porque cato praga, podo folha seca, giro vaso pro sol; como eu. Não resisto em retirar o agasalho que nesses dias de outono sai comigo do quarto; gosto demasiado de sentir o calor, quanto mais quente melhor, bater na pele adormecida. Proibido é, então faço durar pouco, mas o bastante.

Hoje tentei acelerar essa ciranda poque quis escrever. Essa tarefa estava meio renegada culpa do computador impossível de usar, mas certa alma generosa preparou instrumento que consigo usar; estou inaugurando essa ferramenta: “testando!”

Virginia Wolf escreveu que para se escrever são necessárias certas condições, como lugar adequado, silêncio, dinheiro; do que entendi, se não é isso que ela me perdoe, mas estou tentando me estruturar. Imaginação, do que entendo, é o começo de tudo. Tenho  problema danado com o título do que escrevo, mas vou remoendo ideias até que encontro algo razoável. E desse começo costumo embalar numa contação de fatos misturados com sentimentos que, vez ou outra, resulta na contação de historinha titubeante. Tá, dito assim até parece que o texto tem começo, meio e fim, mas, acredite, nunca termina com a intenção que começou. Porque comigo acontece de as palavras irem se misturando sem consentimento e quando vejo o fim bem que poderia ter sido o começo.

E assim seguirei. Contente.

Por

Magda Castro

Brasília, DF, 29 de maio de 2026.

 CHUVAS EM JUNHO

Acostumada à seca a partir do outono em Brasília, chuva com trovão e relâmpago em junho traz surpresa, boa, mas preocupante, uma vez que pode significar alongamento do período de estiagem, e logo, diferente inverno, demora maior da chegada da primavera e verão fora de hora. Claro, tudo são possibilidades, mas é bom repensar algumas rotinas. Não só as chuvas, mas o frio, brabo, me fizeram rever roupas de cama; descobri depois de checar novas e velhas que tenho apenas um cobertor e algumas colchas de algodão. Lençóis e fronhas parecem ter enfrentado qualquer coisa de destrutivo em algum momento, então, fui retirando peças pra remendar, lavar e secar ao sol; quando o sol retornar ao seu ponto correto.

O que sei também, ou não, que arrumar a casa para a estação vigente empata com arrumar o coração que nas idas e vindas do tempo, também sofre algumas revelias. Então, calha preparar aconchegos, doçuras, nacos de alegria pra “estender” no peito nos dias de frio, emocional no caso.

Digo assim porque aceito que relacionamentos, amizades inclusive, também se gastam: relação agradável vivida no verão pode não fazer bem no inverno, talvez incomodar, gerar maus entendidos. Mesmo que alguns, quando há vontade de, possam ser explicados e a convivência saudável possa ser recuperada, creio que, a partir do momento em que há dúvidas do que você é, mesmo depois de longa jornada partilhada, há, possivelmente, intenção do afastamento, do silêncio. Esse de quando não há resposta ao que você diz no WhatsApp, por exemplo, então, reflita por uns dias. Lamente por uma semana, reveja sua mensagem no “não lido” muitas vezes, pra ter certeza que não ofendeu a pessoa, mas por favor, não demore a enviar tudo pro “arquivadas”. Use seu precioso tempo separando os lençóis ainda em bom uso pras próximas estações.

Por

Magda Castro

Brasília, DF, 03 de junho de 2026.